Menstruação e Desempenho Físico
A menstruação sempre foi um tabu para a ciência do esporte, treinadores e atletas. Há poucas décadas, era preocupante o fato da mulher participar de competições ou treinar no período de menstruação. Somente a partir de 1950, com a melhora dos produtos de higiene femininos (absorventes), esse quadro mudou.
Existem pesquisas relatando como o exercício afeta a menstruação e como as outras fases do ciclo menstrual interferem na performance - as alterações que podem causar no potencial físico e psicológico, não esquecendo que elas são altamente individuais. Durante o ciclo menstrual ocorrem mudanças hormonais, a menos que a mulher esteja em contracepção, e isso tem efeitos definidos no desempenho físico.
O ciclo menstrual é dividido em fases. Um ciclo de 28 dias é dividido da seguinte maneira: fase da menstruação ou fluxo (1º ao 4º dia).
Fase pós -menstrual(5º ao 11º dia).
Fase intermenstrual (12º ao 22º dia).
Fase pré-menstrual (23º ao 28º dia).
Afirma - se que a performance pode variar de acordo com as fases do ciclo menstrual.
Na Fase Pré-Menstrual, devido à influência
de um aumento nos níveis de progesterona, o desempenho sofre
uma redução.
Na Fase Pós-Menstrual, devido a crescente
taxa de estrogênio e maior secreção de noradrenalina, observa-se
uma melhora significativa na performance.
No período pré-menstrual há redução da capacidade de concentração e fadiga muscular e nervosa mais rápida. Isto acontece, por exemplo, com as “fundistas” : o rendimento no treinamento de força é diferente nas diversas fases do ciclo menstrual. Na fase estrogênica (pós-menstrual) o rendimento é melhor que na fase progestogênica (pré-menstrual) período em que as atletas ficam irritadas e menos pacientes com os treinos.
Uma revisão da literatura analisando os efeitos das fases
do ciclo menstrual no desempenho atlético, relatou uma melhora
na performance na fase pós-menstrual, com
o inverso acontecendo na fase pré-menstrual.
Porém verificou-se uma inconsistência nas pesquisas, principalmente nas metodologias empregadas e na falta de concretização na determinação das diferentes fases do ciclo menstrual.
Uma das pesquisas consistia numa entrevista com atletas onde 37-67% relataram que não percebiam nenhuma mudança significativa na performance em quaisquer fases do ciclo menstrual.
Um estudo interessante analisou se havia mudanças nas características contráteis do músculo esquelético, medidas através de eletromiografia, durante as fases pré e pós-menstrual.
De acordo com os resultados, não foram encontradas diferenças significativas em nenhuma função do músculo esquelético nas diferentes fases do ciclo.
Os registros de medalhas de ouro e recordes olímpicos mostram que, estas conquistas ocorreram em todas as fases do ciclo menstrual, porém não se deve esperar que o desempenho seja sempre o mesmo, pois fatores hormonais e mesmo psicológicos afetam a performance.
As principais mudanças ocorrem na fase pré-menstrual. Muitos treinadores, ao elaborar o planejamento, levam em consideração as flutuações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual e tentam adaptar o treinamento as essas mudanças.
Várias pesquisas já fundamentadas podem ajudar a planejar treinos de forma a controlar inúmeras variáveis, levando em consideração as flutuações hormonais, tais como: volume, intensidade, grau de dificuldade, tipo de combustível, estresse neural / psicológico / metabólico, entre outras.
A determinação das mudanças e em que fase do ciclo isso acontece, são de grande valia para a classe desportiva, em que os treinadores adaptariam os treinos de forma a minimizar os prejuízos e maximizar os ganhos durante o planejamento.
O principal problema, no caso da preparação física das mulheres, é que a maioria do planejamento é feita idêntica a dos homens. Muitos técnicos não consideram as mudanças que ocorrem durante o ciclo menstrual. Isto deve ser revisto.
Professor: Alysson Paulino |