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Atividade
física em jejum
No combate à gordura, todas as armas parecem atraentes,
desde as práticas mais simples até as mais sacrificantes,
como os treinos em jejum.
A realização de exercícios antes do café
da manhã é uma prática adotada por algumas
pessoas há muito tempo.
Jejum e cérebro
O cérebro é um órgão extremamente
ativo. Apesar de constituir cerca de 2% da massa total de
um adulto, ele é responsável por quase 15% de
nosso gasto energético em repouso. Em condições
normais, esta demanda energética é suprida pela
glicose sangüínea, e supõe-se que o jejum
possa afetar negativamente o metabolismo cerebral.
Quando permanecemos em jejum, inicia-se a gliconeogênese,
com mobilização das reservas de carboidratos
do fígado. Em seguida, ocorre o catabolismo das proteínas
que são diretamente utilizadas pelos tecidos ou convertidas
em glicose. Após esta fase de utilização
de proteínas e carboidratos, prioriza-se finalmente
a mobilização da gordura, com a formação
de corpos cetônicos.
Se o jejum prosseguir por muito tempo, intensifica-se novamente
o catabolismo protéico(perda de massa magra), desta
vez de forma mais acentuada e danosa.
Em repouso, um organismo saudável pode se adaptar ao
jejum com certa facilidade, mas diante de uma demanda metabólica
elevada, como nos exercícios, a situação
pode não ser tão simples.
Muitas pessoas não conseguem se adaptar de forma eficiente
e o organismo procura se proteger induzindo desmaios. Além
dos perigos envolvidos nos desmaios, há um muito mais
grave: danos neurais permanentes. Isto significa que se a
adaptação não for rápida e eficiente
o cérebro pode ser gravemente lesado.
Jejum e queima de gordura
Diversos estudos têm mostrado que a realização
de exercícios em jejum leva a economia de glicose e
à maior mobilização de gordura durante
a atividade e algum tempo após seu término.
Porém não devemos esquecer que diante da escassez
de alimentos o corpo pode entrar em um estado de “racionamento
de energia” diminuindo o gasto energético. Devemos
lembrar que a quantidade de energia gasta após a atividade,
não é necessariamente relacionada à queima
de gordura, mas sim ao gasto calórico total.
Por que algumas pessoas perdem peso se exercitando em jejum?
Uma explicação razoável seria que, esta
prática reduz o consumo calórico diário,
pois você obrigatoriamente passará de 8 a 12
horas sem comer, além de exigir uma boa dose de determinação
e disciplina, o que pode estimulá-lo na dieta e treinos.
Porém não existem provas suficientes para defender
o treino em jejum, por mais que se alegue uma maior utilização
relativa de gordura durante e alguns minutos após o
treino, estes números são inexpressivos quando
expostos em termos absolutos. A própria ênfase
na utilização de gordura durante o treino é
ultrapassada e remonta a discussão dos exercícios
aeróbios.
Também não há provas científicas
diretas para condenar totalmente a realização
de atividades físicas em jejum.
Empiricamente, vemos que algumas pessoas se adaptam bem a
esta situação, optando inclusive por não
se alimentar antes dos treinos.
Esta é uma questão individual de bem-estar,
portanto, induzir alguém a praticar atividades físicas
em jejum, com objetivos estéticos - sem analisar seu
quadro geral - não é um procedimento correto
de acordo com as bases científicas atuais.
TEXTO ELABORADO PELO PROFESSOR ALYSSON PAULINO
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