Tabagismo
História, ocorrência, incidência em doenças e tratamentos
Nas Américas, o tabaco,
planta chamada NICOTINA TABACUM, vem sendo utilizada há milhares
de anos em várias formas e com propósitos culturais diferentes.
Chegou ao Brasil com a migração dos índios tupis - guaranis.
No Brasil, assim como nos Estados Unidos o tabagismo é a principal
causa evitável de doença e morte ameaçando diretamente a saúde.
O seu efeito sobre doenças respiratórias e cardiovasculares
tem causado uma epidemia de morbidade e mortalidade prematura.
Critérios diagnósticos para dependentes
de substâncias psicoativas:
1) A substância é consumida em grandes quantidades
ou por períodos maiores do que a pessoa pretendia;
2) Desejo persistente e uma ou mais tentativas
fracassadas de interromper ou controlar o abuso da substância;
3) Muito tempo utilizado nas atividades para
obtenção de substâncias, consumo ou recuperação de seus efeitos;
4) Intoxicação freqüente ou sintomas de abstinência
quando obrigado a realizar tarefas simples ou quando o uso
da droga for fisicamente perigoso
5) Suspensão ou diminuição de atividades sociais,
profissionais e/ou lazer pelo uso da substância;
6) Uso persistente da substância, apesar de
saber que apresenta problema social, psicológico ou físico
recorrente, causado ou agravado pelo consumo da substância.
7) Tolerância marcante: necessita quantidades
progressivamente maiores de substâncias;
8) Sintomas típicos de abstinência;
9) Substância consumida freqüentemente para
aliviar ou cortar sintomas de abstinência.
O comportamento dependente do usuário é reforçado pela associação
de humores, situações ou fatores ambientais específicos aos
efeitos reforçadores da droga. Este é um fator importante
nos casos de reincidência do cigarro após um período de abstinência.
Outros fatores de dependência estão relacionados a aspectos
de personalidade, condição social, fatores sociológicos, uso
de drogas na família ou entre amigos. As conseqüências do
fumo sobre a saúde são inúmeras e podemos destacar: câncer
de cavidade oral (92%), laringe (82%), esôfago (75%), bexiga
(45%), rim (30%), estômago (20%), pulmão (90%) e colo uterino
(30%). O cigarro é responsável por 75% dos casos de enfisema
pulmonar e 25% dos infartos agudos do miocárdio. Os fumantes
passivos não fogem do risco de conseqüências graves, pelo
contrário, há uma possibilidade 200% de contrair câncer de
pulmão e de 800% de acidente vascular periférico. Há uma relação
evidente e bem definida entre tabagismo e doença cardiovascular,
a diminuição do tabagismo está associada a sua diminuição
de morbidade e mortalidade. Dentre as pessoas que param de
fumar, 80% conseguem sozinhos e 20% precisam de ajuda específica.
Os tratamentos com programas multidisciplinares são os que
apresentam maior resultado positivo para quem busca a abstinência
ao cigarro.
Benefícios na interrupção do
tabagismo:
1) Após 20 minutos: a pressão arterial, a freqüência
cardíaca assim como a temperatura das mãos e
pés tende a voltar ao normal;
2) Após 8 horas: o nível de monóxido
de carbono no sangue se normaliza, o nível de oxigenação
no sangue aumenta;
3) Após 24 horas: diminui o risco de um ataque cardíaco;
4) Após 48 horas: as terminações nervosas
começam a regenerar-se e o olfato e paladar melhoram;
5) Após 72 horas: a árvore brônquica torna
a respiração mais fácil e a capacidade
pulmonar aumenta em até 30%
6) Após 2 semanas: a circulação sanguínea
aumenta e o caminhar se torna mais fácil;
7) Entre 1e 9 meses: diminuição da tosse, da
congestão nasal da fadiga e da dispnéia. O movimento
dos brônquios volta ao normal, limpando os pulmões
e reduzindo os riscos de infecções respiratórias.
Aumento da capacidade física e da energia corporal.
Texto: Sílvia Ismael Cury, mestre em Ciências
pela Faculdade de Medicina da USP, e coordenadora do Serviço
de Psicologia do Hospital do Coração.
Adaptado pela professora Fernanda Zanchetta
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